< Miradouro da alma: O Caminho Vago

20 abril 2006



O Caminho Vago






Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...

Saudade desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...

Porque a dor, esta falta d'harmonia,
Toda a luz desregrada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,

Sem ela o coração é quase nada:
Um Sol onde expirasse a madrugada
Porque é só madrugada quando chora.

[...]

Camilo Pessanha

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