< Miradouro da alma: Numa rua da manhã, na graphonola de alguém

10 abril 2006



Numa rua da manhã, na graphonola de alguém


Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodovar, cores de Frida Kahlo, cores
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que o meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Eu quero chegar antes
Pra sinalizar o estar de cada coisa, filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente, chorando ao telefone
E vendo doer a fome nos meninos que tem fome

Pela janela do quarto, pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela, quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde?
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo, me mostro
Eu canto para quem?

Pela janela do quarto, pela janela do carro...
Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço...
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado
Pela janela do quarto, pela janela do carro...
Eu ando pelo mundo
E meus amigos cadê?...
Pela janela do quarto, pela janela do carro...


Adriana Calcanhotto

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