< Miradouro da alma: A cidade embaciada

19 abril 2006



A cidade embaciada




23 horas.
Da minha varanda olho a cidade embaciada. Pequenas gotículas de água no ar deturpam a vista e desfocam a noite. A humidade entranha-se. O silêncio impõe-se. Ninguém fala. Não há assunto. No interior das almas lançam-se gritos e berros: perfeitos quadros de insensatez de quem caiu no vazio e afogou violentamente os sonhos (em vez de violentamente até poderia usar vilmente, por vezes são sinónimos na perdição das almas). Realço a insensatez. Revolta e turbulência interior na noite da cidade embaciada aos olhares turvos. Pergunto-me se a humidade será verdadeiramente culpa da névoa ou se haverão lágrimas caídas. Paz só na imensidão da noite e nas máscaras carregadas sobre as faces.

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