< Miradouro da alma: Um dia escrevi...

18 janeiro 2006



Um dia escrevi...



Tarde eterna


Na melancolia do entardecer
quando a prata toca as águas
mais um barco cruza o rio
Carrega, na sombra, silhuetas
inventadas num teatro de luz
leva vidas paradas, fugidias
leva o tempo, leva os dias
leva histórias desconhecidas
glórias esquecidas na noite
que as horas vão aproximando,
Seguem a bordo, sonho e ilusão
Desventura e desespero,
Mundos alheios que se cruzam,
Pensamentos vazios de sonho.
Neste entardecer anseio
sentir a doçura das ondas
a humidade da brisa
o beijo do sol que se põe,
e pergunto-me se haverá mesmo
alguém a bordo desse barco
e se alguém lá está, não pode
deixar de sentir esta brisa,
viver este pôr-do-sol, com eu.
E beijo a tarde,
enredado nos seus braços,
deixo-me transportar na ternura
dos últimos raios de sol
e na saudade me enlevo.


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