< Miradouro da alma: Sonho em Trieste

20 janeiro 2006



Sonho em Trieste


Eis-te de novo velho mar
pleno das minhas âncoras
Nem a vaga ausente
Nem o silêncio da luz
Dizem à gaivota
Sê amável
Com as minhas velas
Quantas rugas
Cordas oferecidas à errância
São precisas ao sol
Para ser surdo aos canhões
Aqui estão os meus mastros
Ciumentos dos descuidados pinheiros
Mais inquietos que as colinas
Por amar demasiado os sinos
Arde Sarajevo
Porque não aboliste as fronteiras
Nas veias do vento
Ulisses
Dos secretos amores
Ocultos ao horizonte
Eis-te esgotado mar
Passos pesados
Pelos cais
Nem o porto
Raptou os corsários
Nem a pedra
Salvou as neves
As recordações
Levadas pelas espumas
O sal fere as suas asas
A noite rouba-lhe os voos
Cume após cume
Tu temes as águias
As garras delas como balas
Nas névoas sonoras
Porque não imploraste as rochas
A desenvolta andorinha
Mar magoado
Para abraçar a água frívola
Nos braços da noite escarlate
E apagar todos os incêndios


Tahar Bekri

0 Comentários:

Enviar um comentário

<< Home