< Miradouro da alma: outubro 2005

31 outubro 2005



mar #1






Hoje, no Coliseu de Lisboa


Antony and the Jonhsons






Se há vozes que atravessam vidas e salas e marcam almas esta é uma delas. Quem a ouve, em qualquer lugar que seja, tem um momento intemporal gravado na alma não importa quantas vidas atravesse, não importa quantas outras vozes ouça.

Even if bird girls fly to heaven they surely will ear this angel voice because the soul is immortal and some experiences and moments too, and the angels sing like Antony.

30 outubro 2005



Retorno

21:00h - Faltam precisamente 24 horas para retornar a ouvir uma voz que me marcou profundamente na minha vida. Mas o meu espírito nunca será verdadeiramente livre, ficou preso na última vez que ouvi esta voz, numa sala sem ar condicionado, num arrepio constante, num aperto de no coração que ainda me dá cada vez que recordo aquela noite.




Hope there's someone
Who'll take care of me
When I die, will I go
Hope there's someone
Who'll set my heart free
Nice to hold when I'm tired
There's a ghost on the horizon
When I go to bed
How can I fall asleep at night
How will I rest my head
Oh I'm scared of the middle place
Between light and nowhere
I don't want to be the one
Left in there, left in there
There's a man on the horizon
Wish that I'd go to bed
If I fall to his feet tonight
Will allow rest my head
So here's hoping I will not drown
Or paralyze in light
And godsend I don't want to go
To the seal's watershed
Hope there's someone
Who'll take care of me
When I die, Will I go
Hope there's someone
Who'll set my heart free
Nice to hold when I'm tired



Incógnito

Do Incógnito só posso dizer que a minha vontade era que fosse all night long. Para dizer a verdade acho que só de lá saí quase que arrastado porque a vontade era mesmo de lá ficar até fechar. Penso que descobri o porquê de nunca gostar particularmente de discotecas e martelinhos; o meu tipo de lugar é precisamente este, com este tipo de música e o tipo de pessoal que o frequenta. Foi de certeza a primeira de muitas vezes que espero lá passar. Quanto à melhor companhia... it can be in your mind if the real thing is not possible.
Voltarei de certeza no mais curto espaço de tempo possível.

29 outubro 2005



Travessia


eis a travessia deste coração de múltiplos nomes: vento, fogo, areia, metamorfose, água, fúria, lucidez, cinzas. ardem cidades, ardem palavras. inocentes chamas que nomeiam amigos, lugares, objectos, arqueologias. arde a paixão no esquecimento de voltar a dialogar com o mundo. arde a língua daquele que perdeu o medo.

AL BERTO - O MEDO


28 outubro 2005







Icaro - Paulo Pampolin



Por vezes sinto-me como Ícaro na queda num vazio interminável, depois de tocar a grandiosidade. Está provado que a grandiosidade, uma vez tocada, é inalienável e o seu toque que nos marca também nos queima a alma e as asas cedem, então precipitando-nos ao abismo; por cada metro mais longe mais queima e o vento vai levando consigo as penas e a cera e os sonhos.







Por vezes olho para a vida e o que tenho? Dois punhos fechados para enfrentar a vida num combate desigual. A vida combate-me com o destino que eu rasguei a fogo no fundo do meu ser. Eu apenas tenho uma mão cheia de vento e outra de nada; de que me servem mesmo que punhos em riste sejam?
















Nunca antes os dias me foram tão plenos de nada.













Os meus poisos




Lounging Space no Palácio de Sta Catarina






27 outubro 2005



Na minha graphonola:

Soft black stars
Antony and the Johnsons



Little children snuggle under soft black stars
And if you look into their eyes soft black stars
Deliver them from the book and the letter and the word
And let them read the silence bathed in soft black stars
Let them trace the raindrops under soft black stars
Let them follow whispers and scare away the night
Let them kiss the featherbreath of soft black stars
And let them ride their horses licked by the wind and the snow
And tip-toe into twilight where we all one day will go
Caressed with tendrils and with no fear at all
Their faces shining river gold washed by soft black stars
And angels' wings shall soothe their cares
And all the birds shall sing at dawn
Blessed and wet with joy
You and i will meet one day
Under the night sky lit by soft black stars



Revisitando "O pequeno príncipe"

"Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... "

Antoine de Saint Exupéry



Nestes dias de chuva...

Sei que parece um lugar-comum mas o que apetece mesmo, neste dias, é ficar acordado na cama, no quentinho, a ouvir a chuva trauteando, nas vidraças, melodias desacertadas acompanhando o assobio enlouquecido do vento que possivelmente se perdeu e não encontra o seu caminho e enraivecido se vinga nas gotas da chuva caídas na perdição do azul celeste com elas desavindo.
Protegido das forças da natureza, aconchego-me melhor, ligo o rádio e apetece-me uma música qualquer, daquelas que nos levam incólumes pelo meio da tempestade mas que sei têm sempre um efeito secundário: são muito propensas a recordações (ou serão na verdade a causa principal?). Hoje apetecia-me ouvir estas palabras, antigas, gastas, mas que me deixam sempre a pensar no passado que um dia o futuro me contará, que estórias terá para me dizer, nas personagens que o terão vivido... se terei sido feliz...








08:37h, 18º C, lá fora chove, aqui... o tempo está estranho

Raining Again
Moby


Never know but nothing less
Couldn't see that I have guessed
Couldn't see, couldn't stay away

I never even stopped to dream and
That Id see anything and
The world is coming out so cold

Oh, and it's raining again
Loud on your car like, bullets on tin
Oh, and its raining again
Open the door and pulling me in

Nothing here but nothing less
Cold heart is stuck in this
Couldn't say the kindest words we knew

Everything I tried to say but
no one listens anyway
I had to give up everything that I knew

Oh, and it's raining again
Loud on your car like, bullets on tin
Oh, and its raining again
Open the door and pulling me in

Oh, and it's raining
Raining again
Oh, and it's raining
Raining again

Nothing here but nothing less
Everything we both regret
Couldn't say the kindest words we knew
Cause it was winter time and
We wanted some more time and
We watched the girls try something knew

We didn't even stopped to see that
That It was breaking me and
the world is coming out so cold
What you want you couldn't get, you
Couldn't wait for something less, you
had to give up everything you knew

Oh, and it's raining again
Loud on your car like, bullets on tin
Oh, and its raining again
Open the door and pulling me in


Sadness like water raining down
Raining down, raining down, raining down


Oh, and it's raining
Raining again
Oh, and it's raining
Raining again

26 outubro 2005



Miradouro #6



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Miradouro #5

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25 outubro 2005



Ainda sobre o vício das palavras, um escrito antigo:


Livros


Deleito-me nas palavras
que lidas criam o livro,
que de letras feitas
ideias formam,
perco-me por elas
enlevo-me nos seus sonhos
fantasio as suas histórias
e nelas viajo
na espuma das ondas,
no azul, qual ser alado,
Sou Ulisses ou Nemo,
sereia de Andersen,
principezinho d'Exupéry,
Sou já as histórias
que em mim cresceram
que por mim passaram,
Sôfrego bebo
até me transbordar,
louca vontade
que não posso parar:
Auge da história
criado o suspense
nascido o sofisma...
Só mais umas páginas
que está perto
aproxima-se o fim,
termino.
Outro livro,
outra fábula,
romance, intriga?
Abro as páginas
vestais virgens
que os meus olhos desfloram
ávidos de corpos novos,
outras página,
mergulho,
entrego-me,
deixo-me ir,
fui...

24 outubro 2005



O vício das palavras

O que dizer das palavras que bebemos das mais variadas formas? Que cada gota nos deixa mais sequiosos, que ansiamos cada palavra mesmo que a conta-gotas de forma a saciar o vício. Num livro é sempre o capítulo que se segue e que nas traz uma nova viagem; num Blog ou outra forma de sentimento expresso on-line é sempre o voyeurismo de nos sentirmos noutra pele ou de lhe sabermos o seu estado de espírito. Esta é a magia das palavras... mas é preciso gostar delas.



Na minha graphonola:

Melancholia
Clã



Um poente da cor do passado
um sépia quase sangue
um olhar sonolento para longe
um horizonte perdido
torre tombada
no xadrês do tempo
não há como voltar
à grandeza de ontem
e cai a nostalgia
como concha vazia
que a maré deixa aos pés
e rói a melancolia
um barquinho moderno no mar
com alma de argonauta
um herói cego por tanto ver
um velho sem comer
uma canoa no Tejo
um fado na taberna
e cai a nostalgia
como concha vazia
que a maré deixa aos pés
e rói a melancolia
e cai a nostalgia
como concha vazia
que a maré deixa aos pés
velha melancolia



Outono


Uma lâmina de ar
atravessando as portas. Um arco,
uma flecha cravada no Outono. E a canção
que fala das pessoas. Do rosto e dos lábios das pessoas.
E um velho marinheiro, grave, rangendo o cachimbo como
uma amarra. À espera do mar. Esperando o silêncio.
É Outono. Uma mulher de botas atravessa-me a tristeza
quando saio para a rua, molhado como um pássaro.
Vêm de muito longe as minhas palavras, quem sabe se
da minha revolta última. Ou do teu nome que repito.
Hoje há soldados, eléctricos. Uma parede
cumprimenta o sol. Procura-se viver.
Vive-se, de resto, em todas as ruas, nos bares e nos cinemas.
Há homens e mulheres que compram o jornal e amam-se
como se, de repente, não houvesse mais nada senão
a imperiosa ordem de (se) amarem.
Há em mim uma ternura desmedida pelas palavras.
Não há palavras que descrevam a loucura, o medo, os sentidos.
Não há um nome para a tua ausência. Há um muro
que os meus olhos derrubam. Um estranho vinho
que a minha boca recusa. É Outono
a pouco e pouco despem-se as palavras.»


Joaquim Pessoa in O Pássaro no Espelho



O sal da língua


Escuta, escuta: tenho ainda

uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém - mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar,
para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.


Eugénio de Andrade

22 outubro 2005



Frente a frente

Nada podeis contra o amor,
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco!

Eugénio de Andrade



As palavras que te envio são interditas

As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.


Eugénio de Andrade

20 outubro 2005



Grandioso

Esta é uma palavra que me persegue cada segundo que vivo, cada golfada de ar que inspiro; e vem acompanhada de uma banda sonora que me grita uma melodia em voz de querubim violento: In you I crash cars.



Normalidade

Estranha esta normalidade aparente porque nos tentamos reger. Correm os dias. Vamos indo. Amanhã provavelmente também choverá; se é um mero facto meteorológico desconheço porque por vezes olhamos o céu azul mas o negrume das nossas nuvens tapa a luz radiosa do sol. Deveria existir um boletim meteorológico para a alma.
Curioso, lembrei-me agora que ainda consigo ler por vezes a alma nos olhos de quem por vezes também pinta em largos traços uma normalidade que não sente na alma. Os olhos são demasiado traiçoeiros para esconderem os segredos da alma. Mais vale é nunca lhes contar nada. Ou será que é mesmo isso que queremos?



Na minha graphonola

How Soon is Now ?
The Smiths


I am the son
And the heir
Of a shyness that is criminally vulgar
I am the son and heir
Of nothing in particular

You shut your mouth
How can you say
I go about things the wrong way ?
I am human and I need to be loved
Just like everybody else does

I am the son
And the heir
Of a shyness that is criminally vulgar
I am the son and heir
Oh, of nothing in particular

You shut your mouth
How can you say
I go about things the wrong way ?
I am human and I need to be loved
Just like everybody else does

Oh ...
Oh ...

There’s a club, if you’d like to go
You could meet somebody who really loves you
So you go, and you stand on your own
And you leave on your own
And you go home, and you cry
And you want to die

When you say it’s gonna happen now
Well, when exactly do you mean ?
See, I’ve already waited too long
And all my hope is gone

Oh ...
Oh ...

You shut your mouth
How can you say
I go about things the wrong way ?
I am human and I need to be loved
Just like everybody else does

19 outubro 2005



Viver

Passos na calçada, arrastados, fujo da chuva, sem convicção, leva-me, num abraço frio, o vento revolto, cinzento, zangado. Transporto-me, sem destino aparente ou sequer real, em sonhos queimados pelos dias e que o tempo consumiu na sua passagem, seguro-me a um fio de vida indeciso, só e apenas. Eis os cacos desconjuntados do existir que outrora foi meu e que já não sei como colar. Acho que na verdade não o quero fazer. Mas sei que quero viver, sei que vou lutar e que muitas balas me trespassarão ainda mas voltar-me-ei a erguer e carregarei nos ombros mais uma e outra vez o corpo já moribundo da vida. Esmoreço, o desalento definha-me a alma, gela-me, a chuva, os estilhaços cravam-se-me e roem-me lentamente o ser, não importa, lutarei. Alguém me pergunta: – estás bem? – vou andando. Respondo num aperto mais, que o coração já falha de tanto bater, na sofreguidão de uma sequer gota de sangue.


18 outubro 2005



Na minha graphonola:

Blue Angel
Antony and the Johnsons



It's the memory of your warmth
That keeps me alive
When I'm burning
And my world's closing in

Oh I'm on fire
Oh I'm on fire

I hold on to a wheel of burning fear

Oh I'm on fire
Oh I'm on fire

And then the sky is falling in
And I see your eyes

Hiding in the shadows
Hiding in the flames

Oh I'm on fire
Oh I'm on fire
I'm on fire...

It's the memory of your warmth
That keeps me alive
When I'm burning
And my world's closing in

Oh I'm on fire
Oh I'm on fire
I'm on fire

When I feel like I am dying
And soon I shall expire

I'm on fire
Oh I'm on fire
I'm on fire
Why is that
That I feel like I'm on fire

Blue angel




Museu do Chiado - Primeiros Modernismos

Imperdível!
Em exposição até 31 de Dezembro de 2005.





Amadeu Sousa Caroso




Almada Negreiros




Abel Manta



17 outubro 2005



Em todas as ruas te encontro




Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco


Mário Cesariny



Faz-me o favor...










Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.

É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.

Tu és melhor -- muito melhor!
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.


Mario Cesariny

16 outubro 2005



A minha pedra filosofal

Casa (Vem Fazer De Conta)
Da Weasel

Era tudo quando ela me dizia,
“Benvindo a casa”, numa voz bem calma
Acabado de entrar, pensava como reconfortava a alma
nunca tão poucas palavras tiveram tanto significado
e de repente era assim, do nada, um ser iluminado -
e tudo fazia sentido, respirar fazia sentido,
andar fazia sentido, todo o pequeno pormenor em pensamento perdido
era isto que realmente importava,
não qualquer outro tipo de gratificação

Não o quanto se ganha,
não o bem que dizem de nós não
um novo carro, não uma boa poupança,
nem sequer a família, ou a tal aliança - nada…

Apenas duas palavras, um artigo,
formavam a resposta universal

A minha pedra filosofal
Seguia para dentro do nosso pequeno universo
Um pouco disperso - pronto a ser submerso
Naquele mar de temperatura amena que a minha pequena
abria para mim sempre tranquila e serena, ena…
Tento ter a força para levar o que é meu
Sei que às vezes vai também um pouco de nós
Devo concordar que às vezes falta-nos a razão
Mas nego que há razões para nos sentirmos tão sós
Vem fazer de conta eu acredito em ti

Estar contigo é estar com o que julgas melhor
Nunca vamos ter o amor a rir para nós
Quando queremos nós ter um sorriso maior
Tento ter a força para levar o que é meu
Sei que às vezes vai também um pouco de nós
Devo concordar que às vezes falta-nos a razão

Mas nego que há razões para nos sentirmos tão sós
Vem fazer de conta eu acredito em ti
Estar contigo é estar com o que julgas melhor
Nunca vamos ter o amor a rir para nós
Quando queremos nós ter um sorriso maior
Bem-vindo a casa dizia quando saia de dentro dela
O bonito paradoxo inventado por uma dama bela
Em dias que o tempo parou, gravou dançou,
não tou capaz de ir atrás, mas vou
porque sou trapalhão, perdi a chave e já nem sei bem o caminho
nestes dias difusos em que ando sozinho e definho
à procura de uma casa nova do caixão até a cova
o percurso é duro em toda a linha, sempre à prova
o calor é um alimento que eu preciso
o amor é apenas um constante aviso
se sabes que eu não vivo dessa forma
tu sabes que eu não sinto dessa forma

Por isso escrevo na esperança que ela ouça o meu pedido
de desculpas
de Socorro
de abrigo
não consigo
ver uma razão para continuar a viver sem a felicidade do meu lar
da minha casa, doce casa, já ouviram falar?

É o refúgio de uma mulher que deus ousou criar
Com o simples e unico propósito de me abrigar
Não vejo a hora de voltar lá para dentro, faz frio cá for a
Faz tanto frio cá fora que eu já não vejo a hora…



04:50 AM

A lua hoje está cheia e está lindíssima.

14 outubro 2005



Miradouro #4




Será este o lado certo do rio?

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13 outubro 2005



De "O pequeno príncipe" de Saint Exupéry

"- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... "




"Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah ! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse ...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar ! disse o principezinho.
- vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada !
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo."


"E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa.
Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar."



O tempo que falta...

Nem o tempo todo do mundo chegaria algum dia para todo o amor que temos dentro de nós e para o espalhar aos que amamos. Se hoje o tempo parece pouco temos é de acreditar que somos capazes de criar o tempo que não temos... e por vezes somos mesmo... é como dizia o Peter Pan: "Primeiro pensa tudo o que há de melhor para pensares; são esses pensamentos que nos fazem voar”, mas primeiro é preciso acreditar.



Tempo

Corro atrás do tempo
que o tempo me fugiu,
escoou-se-me por entre os dedos
de um punho que fechei
porque o queria prender
fugaz e esguio corredor,
o tempo, esse fugitivo
dono de todos os dias
contém todas as horas
nele todos os minutos
que não tenho e queria,
que não é meu, o tempo
que me foge, esguio
passado presente e futuro
não é meu, é de ninguém
porque o tempo não tem dono
mas que o queria, queria...



11 outubro 2005



Cores de Outono

Agrada-me este tempo, por estranho que a muitos possa parecer. Não é que não goste do sol e do céu azul, adoro-o, mas não posso deixar de falar igualmente no prazer que é sentir o sabor da chuva na face e o beijo do vento enquanto caminho. Gosto do chapinhar dos sapatos na calçada molhada, do som crepitante das folhas caídas calcadas. Fico inebriado nestes tons outonais, nesta natureza de cores em tons pastel e pelo cheiro da terra molhada. Chiu! Silêncio, que tenho saudades de ouvir as folhas a cair.


Konst & Konstantina




10 outubro 2005



in "The big fish"

"Dizem que quando conheces o amor da tua vida, o tempo pára. E isso é verdade".

09 outubro 2005



Palavras sábias

Do amor não se abdica, ou conseguimos ultrapassá-lo ou fingimos que já o fizemos.

São palavras da Cacau no poesia em pedaços

07 outubro 2005



Presentes de aniversário

Às vezes, não é o presente que é importante. É o amor com que é preparado. E os sentimentos que o embrulharam.


In oladocertodorio.blogspot.com



Ho una melodia nel mio cuore:

Music
The Gift


I’m doing it for music,
I’m doing it for love,
I’m doing it for everyone around me,
and I try to be the only one
with this melody in my head,
but I think I hear this song somewhere.
Because I’m doing it for music
and I’m doing this for love,
I guess I’m doing it
for everyone around me.



Parabéns

Esta é uma das minhas prendas para alguém a quem desejo muitas felicidades neste dia.




05 outubro 2005



Os meus poisos

Café Vértigo






Os meus poisos

Café Vértigo




04 outubro 2005



Miradouro #3

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03 outubro 2005



Palavras achadas

"Agarramos o que vem, no momento em que vem, não lutamos contra a guerra, nem contra a vida, nem contra a morte, fazemos de conta, o único senhor do mundo é o tempo."


Um longo domingo de Noivado
Sébastian Japrisot





Miradouro #2

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Na minha graphonola:

Heard Somebody Say
Devendra Banhart


I heard somebody say
That the war ended today
But everyone knows it's goin' still

Our motherlands and motherseas
Here's what we believe
It's simple
We don't want to kill

I heard somebody say
That the war ended today
But everyone knows its goin' still

Our motherlands and motherseas
Here's what we believe
It's simple
We don't want to kill

Oh, it's simple
We don't want to kill
Oh, it's simple
We don't want to kill
Oh, it's simple
We don't want to kill



Eclipse

É uma sensação estranha realmente, a luz perde-se difusa, obscurecida pelo véu da lua que transtorna o normal fluxo do dia. O ar arrefece e por vezes até as pessoas. Hoje deixei de gostar de eclipses, são demasiado sombrios.

02 outubro 2005



Miradouro #1



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