< Miradouro da alma: Soneto quase mudo

30 novembro 2005



Soneto quase mudo



Há o silêncio, às vezes, entre nós,

e é um silêncio denso, ou uma fala

críptica, uma linguagem que abdica

do som, para ser só a voz da alma...



Há súbitas catarses de palavras

em torrente, cachoeiras de espuma

efervescente, ou talvez a timidez

dos gestos reprimidos ou represos.



Há os olhos que dizem sem dizer,

há o fluido subtil de quem se entende

mais longe do que a vida nos permite.



E há a confiança na ausência,

há segredos sabidos sem saber,

manhãs comuns em cada amanhecer.



Rui Polónio Sampaio


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